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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

TDAH


TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE


O que é?


A hiperatividade e déficit de atenção é um problema mais comumente visto em crianças e se baseia nos sintomas de desatenção (pessoa muito distraída) e hiperatividade (pessoa muito ativa, por vezes agitada, bem além do comum). Tais aspectos são normalmente encontrados em pessoas sem o problema, mas para haver o diagnóstico desse transtorno a falta de atenção e a hiperatividade devem interferir significativamente na vida e no desenvolvimento normais da criança ou do adulto.


Quem apresenta?


Estima-se que cerca de 3 a 5% das crianças na idade escolar (mais ou menos de 5 a 10 anos de idade) apresentem hiperatividade e/ou déficit de atenção. Antes dos quatro ou cinco anos é difícil ser feito o diagnóstico, pois o comportamento das crianças nessa idade é muito variável, e a atenção não é tão exigida quanto de crianças mais velhas. Mesmo assim algumas crianças desenvolvem o transtorno numa idade bem precoce. Em adolescentes e adultos ainda existem poucos dados a respeito de qual é a porcentagem da população afetada, mas é sabido que ambos os grupos podem desenvolver o transtorno. Em termos de gênero, o sexo masculino é quatro a nove vezes mais afetado do que o feminino.


Como se desenvolve?


Geralmente o problema é mais notado quando a criança inicia atividades de aprendizado na escola, pelos professores das primeiras séries, quando o ajustamento à escola mostra-se comprometido. Durante o início da adolescência o quadro geralmente mantém-se o mesmo, com problemas predominantemente escolares, mas no final da adolescência e início da vida adulta o transtorno pode acompanhar-se de problemas de conduta (mau comportamento) e problemas de trabalho e de relacionamentos com outras pessoas. Porém, no final da adolescência e início da vida adulta ocorre melhora dos sintomas na maioria dos casos.


O que causa?


A hiperatividade e déficit de atenção é um transtorno com estudos recentes, apesar de ser reconhecido desde o início do século. Não existe até o momento uma causa específica para o problema. Alguns genes têm sido descobertos e descritos como possíveis causadores do transtorno. Lesões neurológicas mínimas (impossíveis de serem vistas em exames) que ocorreriam durante a gestação ou nas primeiras semanas de vida, também são levantadas como possíveis causas. Alterações das substâncias químicas cerebrais (neurotransmissores) também estão sendo sugeridas como causadores dos sintomas. Supõe-se que todos esses fatores formem uma predisposição básica (orgânica) do indivíduo para desenvolver o problema, que pode vir a se manifestar quando a pessoa sofre ação de eventos psicológicos estressantes, como uma perturbação no equilíbrio familiar, ou outros fatores geradores de ansiedade. Além disso, as exigências da sociedade por uma forma rotinizada de comportamento e desempenho podem interferir no diagnóstico deste transtorno.


Como se manifesta?


Podemos ter três grupos de crianças (e também adultos) com este problema. Um primeiro grupo apresenta apenas desatenção, outro apenas hiperatividade e o terceiro apresenta ambos, desatenção e hiperatividade. É muito importante termos em mente que um "certo grau" de desatenção e hiperatividade ocorre normalmente nas pessoas, e nem por isso elas têm o transtorno. Para dizer que a pessoa tem realmente esse problema, a desatenção e/ou a hiperatividade têm que ocorrer de tal forma a interferir no relacionamento social do indivíduo, na sua vida escolar ou no seu trabalho. Além disso, os sintomas têm que ocorrer necessariamente na escola (ou no trabalho, no caso de adultos) e também em casa. Por exemplo , uma criança que "apronta todas" em casa, mas na escola se comporta bem, muito provavelmente não tem hiperatividade. O que pode estar havendo é uma falta de limites (na educação) em casa. Na escola, responde à colocação de limites, comportando-se adequadamente em sala de aula.
No adulto, para se ter esse diagnóstico, é preciso uma investigação que mostre que ele já apresentava os sintomas antes dos 7 anos de idade.


Quais são os sintomas da pessoa com desatenção?


Uma pessoa apresenta desatenção, a ponto de ser considerado como transtorno de déficit de atenção, quando tem a maioria dos seguintes sintomas ocorrendo a maior parte do tempo em suas atividades:
freqüentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras;
com freqüência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades recreativas;
com freqüência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais, não chegando ao final das tarefas;
freqüentemente tem dificuldade na organização de suas tarefas e atividades;
com freqüência evita, antipatiza ou reluta em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa);
freqüentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades;
é facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa principal que está executando;
com freqüência apresenta esquecimento em atividades diárias;
Quais são os sintomas da pessoa com hiperatividade?
Uma pessoa pode apresentar o transtorno de hiperatividade quando a maioria dos seguintes sintomas torna-se uma ocorrência constante em sua vida:
freqüentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;
com freqüência abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;
freqüentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isso é inapropriado (em adolescentes e adultos, isso pode não ocorrer, mas a pessoa deixa nos outros uma sensação de constante inquietação);
com freqüência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer;
está freqüentemente "a mil" ou muitas vezes age como se estivesse "a todo vapor";
freqüentemente fala em demasia.
Além dos sintomas anteriores referentes ao excesso de atividade em pessoas com hiperatividade, podem ocorrer outros sintomas relacionados ao que se chama impulsividade, a qual estaria relacionada aos seguintes aspectos:
freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas;
com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez;
freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por exemplo, intrometendo-se em conversas ou brincadeiras de colegas).
Importância de tratamento médico para os portadores do transtorno.
São vários os motivos que mostram ser de grande importância médica fazer o diagnóstico e se tratar a criança (ou o adulto) com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.
Primeiro, é importante se fazer o tratamento desse transtorno para que a criança não cresça estigmatizada como o "bagunceiro da turma" ou como ou "vagabundo", ou como o "terror dos professores".
Segundo, para que a criança não fique durante anos com o desenvolvimento prejudicado na escola e na sua vida social, atrasado em relação aos outros colegas numa sociedade cada vez mais competitiva.
Terceiro, é importante fazer um tratamento do transtorno para se tentar minimizar conseqüências futuras do problema, como a propensão ao uso de drogas (o que é relativamente freqüente em adolescentes e adultos com o problema), transtorno do humor (depressão, principalmente) e transtorno de conduta.


Como se diagnostica?


O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde capacitado, geralmente neurologista, pediatra ou psiquiatra. O diagnóstico pode ser auxiliado por alguns testes psicológicos ou neuropsicológicos, principalmente em casos duvidosos, como em adultos, mas mesmo em crianças, para o acompanhamento adequado do tratamento.


Como se trata?


O tratamento envolve o uso de medicação, geralmente algum psico-estimulante específico para o sistema nervoso central, uso de alguns antidepressivos ou outras medicações. Deve haver um acompanhamento do progresso da terapia, através da família e da escola. Além do tratamento medicamentoso, uma psicoterapia deve ser mantida, na maioria dos casos, pela necessidade de atenção à criança (ou adulto) devido à mudança de comportamento que deve ocorrer com a melhora dos sintomas, por causa do aconselhamento que se deve fazer aos pais e para tratamento de qualquer problema específico do desenvolvimento que possa estar associado.
Um aspecto fundamental desse tratamento é o acompanhamento da criança, de sua família e de seus professores, pois é preciso auxílio para que a criança possa reestruturar seu ambiente, reduzindo sua ansiedade. Uma exigência quase universal consiste em ajudar os pais a reconhecerem que a permissividade não é útil para a criança, mas que utilizando um modelo claro e previsível de recompensas e punições, baseado em terapias comportamentais, o desenvolvimento da criança pode ser melhor acompanhado.

Dificuldades de aprendizagem


Não há dúvidas que, para “o fazer” cotidiano dos professores, constitui um importante problema abordar o desafio colocado por um considerável número de alunos que, sem deficiência mental, nem sensorial, nem privação ambiental, não alcançam rendimentos inicialmente esperados em suas aprendizagens.

O que são realmente as dificuldades de aprendizagem?


A literatura sobre as dificuldades de aprendizagem se caracteriza por um conjunto desestruturado de argumentos contraditórios.
Apesar do conceito de dificuldades de aprendizagem apresentar diversas definições e ainda ser um pouco ambíguo, é necessário que tentemos determinar à que fazemos referência com tal expressão ou etiqueta diagnóstica, de modo que se possa reduzir a confusão com outros termos tais como “necessidades educativas especiais”, “inadaptações por déficit socioambiental” etc.,.
Podemos assinalar como elementos de definição mais relevantes:
A criança com transtornos de aprendizagem tem uma linha desigual em seu desenvolvimento.
Seus problemas de aprendizagem não são causados por pobreza ambiental.
Os problemas não são devidos a atraso mental ou transtornos emocionais.
Em síntese, só é procedente falar em dificuldades de aprendizagem quando fazemos referência a alunos que:
Têm um quociente intelectual normal, ou muito próximo da normalidade, ou ainda, superior.
Seu ambiente sóciofamiliar é normal.
Não apresentam deficiências sensoriais nem afecções neurológicas significativas.
Seu rendimento escolar é manifesto e reiteradamente insatisfatório.
O que podemos observar, de modo geral, em alunos com dificuldades de aprendizagem incluem problemas mais localizados nos campos da conduta e da aprendizagem, dos seguintes tipos:
Atividade motora: hiperatividade ou hipoatividade, dificuldade de coordenação…..,
Atenção: baixo nível de concentração, dispersão…,
Área matemática: problemas em seriações, inversão de números, reiterados erros de cálculo …,
Área verbal: problemas na codificação/ decodificação simbólica, irregularidades na lectoescrita, disgrafías …,
Emoções: desajustes emocionais leves, baixa auto-estima …,
Memória: dificuldades de fixação …,
Percepção: reprodução inadequada de formas geométricas, confusão entre figura e fundo, inversão de letras …,
Sociabilidade: inibição participativa, pouca habilidade social, agressividade.
Bem, e daí? Somos professores e os alunos estão em nossas escolas, em nossas classes. O que fazer?
Assumamos com todos os nossos conhecimentos, com toda nossa dedicação, os princípios da normalização e individualização do ensino, optando pela compreensão ao invés da exclusão. Esta é uma visão que tenta superar a concepção patológica tradicional dos problemas escolares que se apóia em enfoques clínicos centrados nos déficits dos alunos e em tratamentos psico-terapêuticos em anexo aos processos escolares.
Partindo da realidade plenamente constatada que todos os alunos são diferentes, tanto em suas capacidades, quanto em suas motivações, interesses, ritmos evolutivos, estilos de aprendizagem, situações ambientais, etc. , e entendendo que todas as dificuldades de aprendizagem são em si mesmas contextuais e relativas, é necessário colocar o acento no próprio processo de interação ensino/aprendizagem.
Sabemos que este é um processo complexo em que estão incluídas inúmeras variáveis: aluno, professor, concepção e organização curricular, metodologias, estratégias, recursos. Mas, a aprendizagem do aluno não depende somente dele, e sim do grau em que a ajuda do professor esteja ajustada ao nível que o aluno apresenta em cada tarefa de aprendizagem. Se o ajuste entre professor e aprendizagem do aluno for apropriado, o aluno aprenderá e apresentará progressos, qualquer que seja o seu nível.
É óbvio a grande dificuldade que os professores sentem quando se deparam com alunos que se lhes apresenta como com “dificuldades de aprendizagem”. Nessa altura do artigo, coloco “dificuldades de aprendizagem” entre aspas, pois, muitas vezes me pergunto, se estas dificuldades são de ensino ou de aprendizagem. Ambas estão juntas, é difícil dizer qual das duas tem mais peso.
O que acontece quando o docente se esquece que a escola é um universo heterogêneo, tal como a sociedade? Devemos ter em mente que nem todos aprendem da mesma maneira, que cada um aprende a seu ritmo e em seu nível. Precisamos criar novos contextos que se adaptem às individualidades dos alunos, partindo do que cada um sabe, de suas potencialidades e não de suas dificuldades.
Didática: fator de prevenção
De acordo com Blin (2005) sem subestimar o efeito de fatores externos à escola, variadas pesquisas sobre a eficácia do ensino têm demonstrado a influência dos professores e da maneira como conduzem a ação pedagógica, não somente sobre a forma como se dá a aprendizagem dos alunos, mas também sobre o modo com que se comportam em aula. O conhecimento dos processos associados ao ato de aprender e uma prática didática capaz de facilitá-los pode minimizar grande parte dos problemas e dos rótulos colocados nos alunos com “dificuldades de aprendizagem”.
—"Ora, é impossível dar mais atenção para alguns alunos, com as classes lotadas e com o programa que tem de ser igual para todos. Somos cobrados pelos pais, principalmente os das escolas particulares". (uma professora de 4ª série do E.F I)
Segundo Perrenoud (2001) pode-se duvidar que, mesmo em uma classe tradicional em que se pratica o ensino frontal, que o professor se dirija constantemente a todos os alunos, que cada um deles receba a mesma orientação, as mesmas tarefas, os mesmos recursos. E, coloca três motivos para isto:
O professor interage seletivamente com os alunos e, por isso, alguns têm, mais que outros, a experiência de serem ouvidos ou questionados, felicitados ou repreendidos. Pergunta ele: quanto à comunicação não verbal, como ela poderia ser padronizada?
Mesmo nessas classes tradicionais, muitas vezes o trabalho é realizado em grupos, e o professor circula como um recurso para atender os alunos.
A diversidade dos ritmos de trabalho pode levar ao enriquecimento ou ao empobrecimento das tarefas. Assim, sempre há aqueles que terminam primeiro e têm tempo para brincar, ler, enquanto outros demoram para terminar e é preciso esperá-los.
Coloca ainda o autor: "Se considerarmos o currículo real como uma série de experiências, chegaremos, grosso modo, a uma conclusão evidente: o currículo real é personalizado, dois indivíduos nunca seguem exatamente o mesmo percurso educativo, mesmo se permanecerem de mãos dadas durante anos".
O que Perrenoud deixa claro, é que individualização de itinerários educativos é possível para os professores, pois ao invés de uma individualização deixada ao acaso, "pode ser feita uma individualização deliberada e pertinente dos percursos educativos às diferentes características, às possibilidades, aos projetos e às necessidades diferentes dos indivíduos".(obra citada)
Alunos que reprovam vários anos na mesma série são mais comuns do que se pode imaginar. Essas crianças sentem que a escola não foi feita para eles e se evadem. Segundo Freire (1999, p.35), “os alunos não se evadem da escola, a escola é que os expulsa”. Quem realmente falhou, o aluno ou a escola? Esses alunos reprovados retornarão no ano seguinte?
Uma criança curiosa que está descobrindo o mundo e suas possibilidades não progrediu nada em um ano, dois ou três. . . Isto nos faz questionar o atual sistema de ensino, pois, parece-nos que busca uma produção em série e com isso apenas evidencia as diferenças sem nada fazer por elas.
Vários autores, como Sara Pain, Alicia Fernández, Maria Lucia Weiss, chamam atenção para o fato de que a maior percentual de fracasso na produção escolar, de crianças encaminhadas a consultórios e clínicas, encontram-se no âmbito do problema de aprendizagem reativo, produzido e incrementado pelo próprio ambiente escolar. (WEISS et. al, 1999, p.46)
É importante considerar que a escola deve valorizar os muitos saberes do aluno, e que seja oportunizado a ele demonstrar suas reais potencialidades. A escola tem valorizado apenas o conhecimento verbal e matemático, deixando de fora tantos conhecimentos importantes para sociedade.
O sentimento de pertença deve ser estimulado, alguém acuado, jamais vai demonstrar as potencialidades que possui. Tornando o ambiente escolar acolhedor, aceitando a criança como ela é, oferecendo meios para que se desenvolva, já é uma garantia de dar certo o trabalho em sala de aula.
É necessário que os profissionais da educação adotem uma postura ética em relação ao aluno, que assim como eles convivem em uma sociedade excludente.
Portanto, diversificar as situações de aprendizagem é adaptá-las às especificidades dos alunos, é tentar responder ao problema didático da heterogeneidade das aprendizagens, que muitas vezes é rotulada de dificuldades de aprendizagem.

Contos de fadas


Justificativa: Toda criança encontra nos contos uma prazer especial para a compreensão do mundo, sendo este um recurso importante para a educação da criança.

Este projeto visa a contação de histórias infantis de forma divertida, onde no final do projeto os alunos assistem um teatro das professoras.


Objetivos Gerais:- Possibilitar a criança uma interação significativa, vivenciado situações que a estimulará a desenvolver sua percepção e imaginação.


Objetivo específico:- Possibilitar a criança conhecer alguns contos de fada;- Estimular a criança a expressar seus sentimentos emoções;- Incentivar a criança a identificar personagens, locais e seqüência de fatos;- Exercitar a oralidade, através de relato sobre os contos;- Visualização, contato e manuseio de diferentes matérias e objetos;- Incentivar a iniciativa e criatividade das crianças para que recontem os contos a sua maneira.- Brincar com a representação da história.


Conteúdos:- Participação em situações de brincadeiras nas quais as crianças escolhem os parceiros, os objetos, os temas, o espaço e os personagens.


Procedimentos: 1. - Apresentar o livro da história a ser trabalhada no bimestre.1.1 – Conversar sobre os cuidados que precisam ter ao manusear os livros.1.2 – Mostrando as ilustrações da capa, nome do autor do livro e nome do livro. 2. - Ler a história.2.1 – Organizar um cantinho tranqüilo sem interrupções.2.2 – Ao ler a história dar ênfase ao tom de voz, mudando a entonação da fala a cada personagem.2.3 – Deixar as crianças comentarem sobre as cenas e fatos.3. – Representar a história3.1 - Relembrar a história fazendo interpretação oral, questionando sobre o que e qual personagem mais gostaram.3.2 – Organizar as crianças para que comentem sobre a história.3.3 - Utilizar uma técnica ( massinha de modelar, dobradura, colagem, pintura, sucata,etc.), incentivando os alunos a criarem um personagem da história.4. – Teatro das professoras4.1 – Definir a data e o local da apresentação.4.2 – Definir os personagens e o figurino que será utilizado.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008




A importância da leitura e literatura infantil na formação das crianças e jovens


A infância é o melhor momento para o indivíduo iniciar sua emancipação mediante a função liberatória da palavra. É entre os oito e treze anos de idade que as crianças revelam maior interesse pela leitura. O estudioso Richard Bamberger reforça a idéia de que é importante habituar a criança às palavras. "Se conseguirmos fazer com que a criança tenha sistematicamente uma experiência positiva com a linguagem, estaremos promovendo o seu desenvolvimento como ser humano."Inúmeros pesquisadores têm-se empenhado em mostrar aos pais e professores a importância de se incluir o livro no dia-a-dia da criança. Bamberger afirma que, comparada ao cinema, ao rádio e à televisão, a leitura tem vantagens únicas. Em vez de precisar escolher entre uma variedade limitada, posta à sua disposição por cortesia do patrocinador comercial, ou entre os filmes disponíveis no momento, o leitor pode escolher entre os melhores escritos do presente e do passado. Lê onde e quando mais lhe convém, no ritmo que mais lhe agrada, podendo retardar ou apressar a leitura; interrompê-Ia, reler ou parar para refletir, a seu bel-prazer. Lê o que, quando, onde e como bem entender. Essa flexibilidade garante o interesse continuo pela leitura, tanto em relação à educação quanto ao entretenimento. A professora e autora Maria Helena Martins chama a atenção para um contato sensorial com o objeto livro, que, segundo ela, revela "um prazer singular" na criança. Na leitura, por meio dos sentidos, a criança é atraída pela curiosidade, pelo formato, pelo manuseio fácil e pelas possibilidades emotivas que o livro pode conter. A autora comenta que "esse jogo com o universo escondido no livro "pode estimular no pequeno leitor a descoberta e o aprimoramento da linguagem, desenvolvendo sua capacidade de comunicação com o mundo. Esses primeiros contatos despertam na criança o desejo de concretizar o ato de ler o texto escrito, facilitando o processo de alfabetização. A possibilidade de que essa experiência sensorial ocorra será maior quanto mais freqüente for o contato da criança com o livro. Às crianças brasileiras, o acesso ao livro é dificultado por uma conjunção de fatores sociais, econômicos e políticos. São raras as bibliotecas escolares. As existentes não dispõem de um acervo adequado, e/ou de profissionais aptos a orientar o público infantil no sentido de um contato agradável e propício com os livros. Mais raras ainda são as bibliotecas domésticas. Os pais, quando se interessam em comprar livros, muitas vezes os escolhem pela capa por falta de uma orientação direcionada às preferências das crianças. É de extrema importância para os pais e educadores discutir o que é leitura, a importância do livro no processo de formação do leitor, bem como, o ensino da literatura infantil como processo para o desenvolvimento do leitor crítico. Podemos tomar as orientações da professora Regina Zilberman, estudiosa em literatura infanto-juvenil e leitura, como forma de motivarmos as crianças e os jovens ao hábito de ler: abordar as relações entre a literatura e ensino legitimando a função da leitura, sugerindo livros, assim como atividades didáticas, a fim de alcançar o uso da obra literária em sala de aula e nas suas casas com objetivos cognitivos, e não apenas pedagógicos; considerar o confronto entre a criação para crianças e o livro didático, tornando o último passível de uma visão crítica e o primeiro ponto de partida para a consideração dos interesses do leitor e da importância da leitura como desencadeadora de uma postura reflexiva perante a realidade. Assim, com relação à leitura e à literatura infantil, pais e professores devem explorar a função educacional do texto literário: ficção e poesia por meio da seleção e análise de livros infantis; do desenvolvimento do lúdico e do domínio da linguagem; do trabalho com projetos de literatura infantil em sala de aula, utilizando as histórias infantis como caminho para o ensino multidisciplinar. Estratégias para o uso de textos infantis no aprendizado da leitura, interpretação e produção de textos também são exploradas com o intuito final de promover um ensino de qualidade, prazeroso e direcionado à criança. Somente desta forma, transformaremos o Brasil num país de leitores.






Contar Histórias– Uma Linguagem de Afeto


O processo de formação de um leitor começa bem antes dele aprender a decodificar a leitura a partir do texto escrito. O início deste caminho e a sedução para o mesmo se dão ainda no berço, através dos acalantos e parlendas e, claro, da ambiência de afeto que este momento propicia. A partir das cantigas de ninar, a criança vai criando ferramentas para se tornar leitor e identificar a espinha dorsal de uma narrativa. No entanto, é errada a idéia que comumente se tem de que contar histórias é privilégio dos pequenos. O ofício de contador de tem me mostrado que contar e ouvir histórias é uma arte sem idade, o que confirma a máxima popular que diz que “de uma boa história ninguém escapa”. As histórias não só ensinam como também nos convidam a olhar para dentro, pois apresentam os percalços e deleites que a vida nos reserva. Algumas linhas de psicologia, inclusive, defendem a idéia de que crianças que ouvem histórias na infância se tornam adultos mais seguros e profissionais bem sucedidos. Isso porque o texto ouvido na infância fica ecoando em nossa memória afetiva e serve de alicerce para o processo de individuação; internalizamos a idéia de que a vida não é exclusivamente um mar de rosas e que temos muitos dragões e bruxas a vencer nesta trajetória de crescimento. Mas, afinal, o que conta o conto? As histórias populares mostram sempre, num primeiro plano, um personagem sendo compelido a um processo de transformação: ele é expulso de casa ou tem que fugir; enfim, sair do âmbito familiar para cumprir uma tarefa essencial para sua sobrevivência ou de um ente querido. Muitos contos iniciam mostrando a morte da mãe “perfeita demais” para que possa dar lugar a um indivíduo único e inimitável. A partir disso, ele se confrontará com impasses morais, terá que discernir o bem do mal, atravessar florestas escuras ( seus medos ) para fazer jus ao “ser feliz”. Na verdade, são questões que não fazem parte unicamente do repertório infantil e, sim, norteadores para uma vida com mais qualidade e expressão. As histórias nos acordam dos nossos encantamentos, abrem espaço para outros e se tornam fiéis parceiras em nossos processos de transformação. “Mas, já temos tudo pronto... A televisão não é o mais prático contador de histórias?”, perguntarão alguns. Sem dúvida, a televisão hoje em dia é uma janela para o mundo. Mas, quanta poluição entra quando resolvemos abrir a janela de nossa casa? Simplesmente apertamos um botão, selecionamos um canal e não nos preocupamos (e nem temos tempo) para filtrar o que é servido às nossas crianças... E quanto da capacidade imaginativa cerceamos quando damos as imagens já prontas e num ritmo industrial que nunca conseguirá suprir a afetividade que o contar histórias proporciona! Cada ouvinte imaginará a história do seu jeito, ele mesmo será o pintor desta tela e elegerá as cores que usará. E, o melhor de tudo, terá os olhos do contador como porto seguro para sua viagem. Tudo isso faz do contar histórias uma linguagem única e que pode ser desenvolvida por qualquer um que tenha no coração um ninho aconchegante para recebê-las e compartilhá-las. Laerte Vargas é contador de histórias, pesquisador, fundador do Confabulando- Contadores de Histórias, Dinamizador de Oficinas de contadores de histórias









Fortalecendo a auto-estima através de estórias


Nos dias de hoje em que as crianças ficam extremamente envolvidas pela televisão, internet e videogames, acredito que é de extrema importância resgatarmos comportamentos que fazem a diferença no desenvolvimento infantil. Um destes comportamentos é certamente a comunicação e o compartilhamento de vivências na família. Muitos pais se sentem culpados porque não podem estar durante todo o dia com suas crianças e dedicar-se da forma que gostariam. Uma forma poderosa de ter tempo de qualidade e de aproximar-se de sua criança é através de estórias. Quando contamos estórias nós podemos ver, pensar, questionar, entender e rir juntos. Como conseqüência nós desenvolvemos uma relação mais próxima com nossas crianças. Esta relação ajudará sua criança a sentir-se mais amada e capaz e ela desenvolverá uma auto-estima saudável.Contar estórias é uma experiência. Mais do que estar envolvidos e interessados no conteúdo e como a estória vai terminar, contar estórias cria relacionamentos. Quando nos perguntam que estórias nos eram lidas e contadas quando éramos pequenos, muitos de nós não nos lembramos destas. O que certamente nos lembramos é o clima aconchegante de termos uma estória contada e do sentimento que nós éramos importantes para que alguém próximo dedica-se este tempo especial para estar junto a nós. Na formação da auto-estima, as crianças se valorizam da mesma forma que pessoas significativas as valorizam. Não é por acaso que Lewis Caroll chamou as estórias de presentes de amor.Além dos benefícios afetivos as estórias trazem benefícios lingüísticos e cognitivos como: sensibilização da imaginação, expansão de vocabulário, desenvolvimento de pensamento crítico, gosto pela leitura e refino da escuta e da fala. Primeiro necessitamos gostar de estórias para começarmos a ler e não o contrário. Abaixo damos algumas dicas para você começar a contar estórias: Preparando uma estória: - escolha uma estória que você goste e escolhe um lugar calmo em que você se sinta confortável e que você sabe que vai poder dar atenção total a sua criança. Aproveite os momentos que você estaria perdendo como, por exemplo, esperando por um médico. Faça deste tempo qualidade. - sente-se em frente à criança e segure o livro aberto em seu colo. Desta forma será mais fácil para você ter contato visual com a criança. Se ele ou ela estiverem do seu lado, será muito difícil. O livro não deverá estar aberto no chão pelo mesmo motivo. - antes de mostrar o livro, comece uma conversa sobre o tema principal ou um tema secundário da estória. Quando você apresentar o livro, a criança já estará envolvida e pronta para que você comece a estória. Ex: Você já esteve em alguma situação em que precisou a ajuda de alguém? Você pode alinhar um ponto que quer dar atenção desta forma. Começando e terminando estórias: - se uma estória é um presente, é importante que seja bem apresentada. Digo que abrir e fechar com graça são o papel que envolve a estória. Eles dão ritmo ao inicio e final e trazem ainda mais mágica e mistério a estória. Aqui abaixo listo meus preferidos: Abrindo estórias:No tempo dos sonhos....Eu te contei, não te contei .....Lá nos velhos tempos .....Uma estória, uma estória. Deixe-a vir, deixe ir ...Fechando estóriasSe eles viveram felizes, devemos você e eu.E tudo foi como deveria ser,e depois disto eu não estava mais por perto. Esta é uma estória real, e se não é, deveria ser!







Mordendo para Conhecer


Uma coisa muito comum nas turmas de Maternal – mas que costuma provocar muita preocupação dos pais – são as mordidas. Principalmente no período de adaptação, em que, além da maioria das crianças estar vivendo sua primeira experiência social extra-familiar, os grupos estão em fase de formação, de “primeiras impressões”, ou em situações de entrada de crianças novatas, as mordidas quase sempre fazem parte da rotina diária das crianças. Não é fácil lidar com esta situação, tanto para os pais (é muito dolorido receber o filho com marcas de mordida!) , quanto para nós, educadores (que sempre nos sentimos impotentes, incapazes que somos, na maioria das vezes, de impedir que elas aconteçam).Se nos dedicarmos a pensar esta questão de forma mais ampla, poderemos nos aproximar de uma compreensão deste fenômeno, do ponto de vista do desenvolvimento e da história da criança. Podemos partir de perguntas simples: Por que as crianças pequenas mordem umas às outras e às vezes até a si mesmas? Expressão de agressividade? Violência? Stress? Sentimento de abandono? As crianças pequenas geralmente mordem para conhecer. Para elas, tudo que as cerca é objeto de interesse e alvo de sua curiosidade, inclusive as sensações. O conceito de dor, por exemplo, é algo que vai sendo construído a partir de suas vivências pessoais e principalmente sociais, e não algo dado a priori. Mordendo o outro, a criança experimenta e investiga elementos físicos, como sua textura (as pessoas são duras? São moles? Rasgam? Quebram?), sua consistência, seu gosto, seu cheiro; elementos “sexuais” (no sentido mais amplo da palavra), na medida em que morder proporciona alívio para suas necessidades orais (nelas, a libido está basicamente colocada na boca) e ainda investiga elementos de ordem social, isto é, que efeitos que esta ação provoca no meio (o choro, o medo ou qualquer outra reação do coleguinha, a reprovação do educador, etc). Dessas investigações é que será engendrado o conceito de dor, tanto da dor própria (as crianças pequenas muitas vezes mordem também a si mesmas , numa atitude explícita das ações listadas acima) quanto da dor do outro (sentido moral da dor: a constatação de que não é lícito proporcionar dor ao outro, mesmo que os sentimentos – a raiva - assim o indiquem). É claro que, vencida esta primeira etapa de investigação, algumas crianças podem persistir mordendo, seja para confirmar suas descobertas ou para “testar” o meio ambiente (disputa de poder, questionamentos de autoridade, etc). Ou ainda, pode ser uma tentativa de defesa: ela facilmente descobre que morder é uma atitude drástica. Raramente a mordida é um ato de agressividade, e muito menos de violência. As crianças raramente querem simplesmente agredir, a não ser que estejam vivendo alguma situação de intenso stress emocional em que todos os demais recursos estejam esgotados. Assim, a mordida é uma conduta que pode ser administrada dentro do grupo: tanto em relação às crianças que mordem quanto àquelas que são mordidas com freqüência (o educador pode, por exemplo, oferecer, a estas, recursos variados para impedir as mordidas dos coleguinhas). Uma observação importante a fazer é que, por vezes, encontramos crianças que, por um motivo ou por outro dentro de sua história de vida, não só permitem as mordidas como costumam provocá-las. Estas crianças e suas famílias devem receber orientação especial do educador. Com o passar do tempo de trabalho em grupo, o educador tem a possibilidade de planejar suas ações e estratégias no sentido de fazer com que as crianças possam refletir, a sua maneira e coletivamente, esta questão. Cabe às famílias compreender este momento do grupo, buscando, se necessário, suporte junto aos profissionais incumbidos de coordenar as vivências grupais.




A importância dos contos de fadas na educação infantil
Fases do desenvolvimento infantil
Autoria de Jeane Gonçalves de Souza e Keile Cristina Silva Paixão

Campos (2001), em suas análises constatou que a concepção de educação infantil vem-se constituindo a partir de movimentos sociais que acarretam mudanças na visão da criança, do seu desenvolvimento, da família e do papel da mulher na sociedade. Com base nestes indícios percebemos que a criança hoje vive mais sozinha em busca de soluções para os conflitos evidenciados que são próprios dessa fase. Percebe-se elas sendo inseridas mais cedo nas escolas ou nas creches do que antigamente onde víamos as mulheres desempenhando tão somente o papel único de mãe e do lar, não se destacando na sociedade em um mercado de trabalho considerado hoje tão competitivo pra ambos os sexos.
A criança ao se desenvolver passa por estágios, o qual necessita de intervenções e apoio, de estrutura familiar e direcionamento. A escola vem desempenhando muitas vezes este papel e por sinal muito bem, no caso das creches principalmente que hoje vai dando uma outra reestruturada no binômio cuidar e educar, muitas vezes acaba por assumir o papel que seria da família, o qual deveria ser presente e atuante.
Wallon (1934), afirma que os estágios pelo qual a criança passa, são caracterizados pelos domínios funcionais da afetividade, do ato motor e do conhecimento, sendo desenvolvido pelo meio social.
Para ele estes estágios começam na vida intra-uterina. Quando a criança nasce ela parte então para o estágio impulsivo emocional, onde prevalecem as emoções. Em um segundo estágio, que vai até os dois anos, o sensório-motor, volta-se para a exploração do mundo físico, com a aquisição da marcha e a aquisição da fala, a criança apresenta modificações no seu padrão de interação com o mundo.

O caminho da independência com o surgimento do “não” e do uso do “eu, exalta a luta da criança para auto afirmar-se, auto-possuir-se, reconhecer-se como pessoa distinta do outro com direito a vontades e necessidades próprias”. Nessa fase, o avanço do domínio motor permite a criança aumentar o seu espaço, afastar-se da mãe, promovendo a posse de novos conceitos, o acesso à capacidade de simbolização que permite a separação e a diferenciação eu - mundo. (ANTONY, 2006).

Aos três anos, ocorre o estágio do personalismo, a constituição do eu, onde a criança em seu confronto com o outro passa por uma crise de personalidade, caracterizada pelas mudanças nas suas relações e o aparecimento de novas aptidões, esse estágio vai até os seis anos e é fundamental para a formação da personalidade, ele se divide em três períodos, porém todos com o objetivo de tornar o eu mais independente e diversificado, são eles:
ü Período da negação: necessita de auto-afirmação;
ü Idade da graça (aos 4 anos): desenvolve maneiras de ser admirada e chamar atenção a fim de receber elogios e aprovações;
ü Período da imitação (aos 5 anos): marcada por uma reaproximação do outro, manifestado pelo gosto de imitar.
Antony (2006), afirma que a angústia de separação gera o medo do abandono e da perda da proteção que ocorre em tenra idade quando não há recursos psicológicos disponíveis para o auto-suporte. Crianças que sofrem separação precoce ou que recebem ameaças de separação desenvolvem reações de medo, ansiedade, sentimentos de insegurança que resultam em condutas de apego ansioso.
É onde percebemos a importância das interferências, das estruturas, da segurança a ser transmitida em cada fase, cada um cumprindo o seu papel sem transferência de responsabilidades, principalmente quando é de responsabilidade da família que é a base construtora.
O homem na verdade, apresenta um comportamento construído por ele próprio ao interagir com o meio em que vive. Crianças têm estruturas mentais diferentes das dos adultos; determinam à realidade e vêem o mundo de modo diferente. (PIAGET apud SIGNORETTI). Nas pesquisas de Piaget, mais tarde fomentadas por Wallon, ele coloca quatro fatores que influenciam o desenvolvimento mental da criança;
v Maturação física e do sistema nervoso;
v Capacidade de experimentação, de manipulação, de movimentos e pensamentos sempre em situações concretas;
v Interação social no jogo, na conversa, no trabalho com outras crianças e com os adultos;
v Equilibração reunindo maturação, experiência e socialização para a construção e a reconstrução das estruturas mentais.
Para ele, as operações mentais são ações executadas pelo cérebro do individuo, constituindo-se parte do pensamento racional e produzindo resultado.
Cada processo de maturação deve ser respeitado e estimulado de forma que proponha subsídios para sanar conflitos geradores da própria idade. É onde entra o conto de fadas, histórias que transmitem valores em linguagens entendíveis, histórias essas que devem ser contadas com o real teor de seus conteúdos, pois são eles que dão ênfase e transmitem as mensagens em um nível de compreensão simbólico que somente crianças são capazes de transportá-las para seu mundo real amenizando assim seus conflitos.

Fantasia e imaginação

Betelheim (1992), afirma que uma criança confia no que o conto de fadas diz por que a visão de mundo aí apresentada está de acordo com a sua, seu pensamento é animista. Logo que a criança é capaz de imaginar, isto é fantasiar uma solução favorável para seu período presente, as explosões temperamentais desaparecem, pois se uma criança é incapaz de imaginar seu futuro de modo otimista, estabelece-se uma parada no desenvolvimento. Sabemos que quanto mais infelizes e desesperados estamos, mais precisamos ser capazes de envolver-nos em fantasias otimistas, ou para nós em outra linguagem, em sonhos, que é a mesma fantasia.
Betelheim (1992) esclarece que nenhum conto de fadas por si só fará isto pela criança, necessitamos primeiro que instilem esperança em nós. Embora a fantasia não seja verdadeira, os bons sentimentos que ela nos dá sobre nós mesmo e o nosso futuro são reais porque acreditamos e deixamos nos envolver com a certeza de que tudo vai dar certo ou que vou lutar e vencerei, e isso é que nos sustenta só que para a criança ela só consegue ver isso implantado de forma simbólica, nos super heróis, nos príncipes, rainhas e princesas, não é a toa que a criança sempre quer ser um daqueles personagens, ela na verdade quer tomar o lugar do personagem para se sentir protegida. Porque será que uma criança quer ser o príncipe da história ou a princesa? É nítido, pois a princesa sempre é salva e o príncipe sempre luta com todas as forças para superar o mal e no final ele vence, ou seja, ele é do bem.
Neste sentido a criança se vê no cenário e compreende, ao fantasiar e imaginar ela busca soluções de forma prazerosa, se sente mais calma, mais segura, e vai moldando a sua personalidade de acordo com suas pequenas construções psicológicas que a leva a maturação e posteriormente á lógica para solucionar seus conflitos na vida adulta, preparando-a para viver numa sociedade competitiva e ser capaz de viver em grupo.







Contos de fadas, Interferências x Benefícios.

Betelheim (1992) diz que através dos contos de fadas crianças se beneficiam de forma mais significativa pelo fato de tudo ocorrer através do inconsciente, ela dá o significado de várias formas, só depende do que ela vive no momento.
A criança apaixona e pede repetidamente para ouvir um conto desde que ele tenha sido significativo pra ela. A literatura deve estar em fácil acesso próprio a idade pois mesmo sendo um bebê, ele já consegue fazer leitura de gravuras a seu modo e compreendê-las demonstrando imenso prazer, essas emoções mais tarde irão trabalhar sentimentos projetando-se nos personagens, e quanto mais cedo ele desfruta dos momentos de história, mais chances terão de se tornar adultos seguros.
“Uma leitura que não se limita á decodificação é instrumento de auto compreensão e estabelecimento de ricas relações interpessoais“. (ANDRÉ, 2004)
O conto proporciona prazer, a criança precisa ter contato significativo com os livros, quando se conta um conto utiliza-se de vários recursos entre dramatizações, entonações de voz, sonoridade da voz e pela percepção visual, ali se transmite idéias que são transformadas em significados para conflitos do seu mundo.
Betelheim (1992) expõe um caso similar em sua obra de uma criança que se encontrou amparada na história da Branca de Neve. A criança vivia abandonada pela mãe que era fria e distante e ao ouvir a luta da Branca de Neve com sua madrasta transportou a situação para sua crise existencial de forma a acreditar que o resgate aconteceria.
Neste momento fica claro que a criança trocou de papel com a Branca de Neve e assim passou acreditar numa possível solução para o seu problema.
O conto de fadas proporciona a descoberta de sua identidade a partir do interior, à comunicação e socialização, encontra-se sua própria solução através da contemplação do que a história parece implicar acerca de seus conflitos internos neste momento da vida.






O medo nos contos de Fadas

Ao longo de sua infância a criança enfrenta conflitos, frustrações e humilhações... São muitos os medos que as perseguem. O adulto, no caso, os pais precisam estar atentos, a criança a todo o momento necessita de incentivos para superar esta fase, como se fosse muito importante aquele acontecimento, evitar comparações entre irmãos não deixar se sentir inferior ao outro, elogiar sempre, aprender algo novo para ela, que muitas vezes para o adulto não é importante. Ás vezes isso não acontece, e é através dos Contos de fadas que a criança supera esta angústia enfrentando o medo e se compreende.
“Oferecer à criança pensamento racional para que ela organize seus sentimentos e compreenda o mundo só vai confundi-la e limitá-la. “A verdade dos contos de fada é a verdade da nossa imaginação”. (MARIUZZO, 2007).
Os contos de fadas ensinam as crianças a enfrentar o medo, através das histórias infantis onde incluem sempre personagens assustadores como a malvada madrasta de Branca de Neve, o Lobo mau da história dos três porquinhos e do Chapeuzinho vermelho.
A criança sempre gosta de ouvir repetidas vezes, mesmo assustadas, elas necessitam desse sentimento para aprender a superar o medo dentro de si, qualquer que seja ele.
Os contos de fadas vêm sendo adocicados, retirando o mau, o castigo, tornando a história neutra e sem emoção... A criança necessita ouvir histórias verdadeiras nos contos de fadas... Na tentativa de protege-la do mundo assustador e mau, sempre são recontadas as histórias suavizando o final, onde não tem morte do lobo mau, o lobo não comeu a vovozinha, ele a trancou no armário, o caçador não matou o lobo, ele apenas o amarrou e o levou para bem longe da floresta.
A criança só enfrentará o medo ouvindo o verdadeiro final, onde o lobo é morto. Só assim simbolizado pelos personagens das histórias a criança consegue vencer o medo do lobo, nesse caso morte não é violência, propicia a criança a ser corajosa, vencer seus conflitos e superar seu medo.
Os Contos de Fadas assumem papel muito importante no desenvolvimento da criança para a vida toda, através das histórias verdadeiras, liberam sua angústia e medo de não se sair bem, seja na escola ou em casa. As histórias retratam personagens que sofrem por serem maltratadas como A Cinderela, que era humilhada pela madrasta e suas irmãs e no final casou-se com um príncipe. Personagens que conseguem sobressair no final da história sendo feliz, assim a criança compreende e sabe que tudo vai acabar bem, por mais dificuldades que enfrentar em sua vida.

O conto de fadas e as conquistas da criança

Betelheim (1992) afirma que todo conto de fada giram em torno de um herói ou heroína que apresenta sua origem: pai, mãe, terra, cultura, e vivem sempre dificuldades e lutam para que aconteça uma solução satisfatória, entram em ação então a mágica, as fadas, bruxas, anjos, onde a paz reina no final, a harmonia vence o bom e o bem. No desenrolar da luta o herói tem que descobrir o que falta, compreender o processo em que está inserido, assim neste momento é transportado para o leitor inconscientemente a luta nas dificuldades, o encorajamento para delinear suas batalhas, estabelece-se a conexão entre o consciente, e o inconsciente, o mesmo acontece com os sonhos, para a criança é uma representação simbólica no inconsciente que se transporta para o consciente na tentativa de compreendê-lo.
Para Betelheim (1992) a criança pode aprender e apreender-se por meio dos contos de fadas, onde ela reconhece, identifica aos outros e a si mesma, porque não lhe oferecer melhores condições de forma mais prazerosa, o crescimento e o amadurecimento por meio dos contos?
Na verdade, por mais que os homens transformem o mundo em que vivem com sua inteligência e trabalho, sua natureza humana não muda. Nelas se misturam as paixões da alma (amor, ódio, amizades, medo, inveja, ideais, ciúme, solidariedade) e as necessidades básicas do ser humano, ar, alimento e proteção para o corpo. (VIEIRA, 2005, p.10)

Ele ainda afirma que quando dramatizamos um conto, por exemplo, O Patinho Feio estamos transportando sentimentos ligados à raça, preconceito e á luta, ou o conto da Chapeuzinho Vermelho que transporta sentimentos ligados a obediência. A criança em contato com a leitura mesmo que não saiba ler, que só faça leitura de gravuras e as explore de sua maneira interpreta as ações, já se oportuniza e desperta para o letramento e não somente a decodificação. A criança tem que ser estimulada a ler, e faze-la por prazer, quanto mais cedo leitora mais hábil será sua interpretação e expressão.
“É preciso descobrir que os contos de fadas têm na base a vida real, e que a literatura infantil não é infantil ou pueril, como o senso comum a considera, e acima de tudo é um excelente meio de educação a ser explorado” (VIEIRA, 2005, p.12).
Os contos de fadas são reconhecidos facilmente, através deles logo se nota a existência de fadas, reis e rainhas, bruxas, animais que falam e a introdução sempre é a mesma: “Era uma vez”, são elementos que facilitam a memorização e a interiorização porque fazem parte de um mundo onde tudo é possível, tapetes voam, galinhas botam ovos de ouro, a barriga do lobo é aberta entre outros em tantos contos. A criança necessita de ludicidade, fantasia, onde seja transportado para um mundo imaginário.
Rotta (2005) afirma que a fantasia é um mecanismo inventado pelo homem na era medieval para superar as dificuldades da vida real, e que algumas histórias tratam de temas que fazem parte da tradição de muitos povos e apresentam soluções para problemas universais, como o Pequeno Polegar, personagem que representa o desejo de vingança do mais fraco contra o mais forte. Os contos proporcionam vivências dos problemas de um modo simbólico, o que dá prazer e transfere para a criança em uma linguagem onde ela é capaz de interiorizar. Nos estudos realizados pelo psicólogo austríaco Bruno Betelheim (1903-1990), nenhum tipo de leitura é mais satisfatório do que os contos de fadas, pelo fato de ensinar sobre os problemas interiores dos seres humanos e apresentarem soluções em qualquer sociedade, ou seja, a fantasia ajuda a formar a personalidade e por isso não pode faltar na educação.
A criança tende a ter mais medo na infância da separação dos pais, drama que é presente em muitas histórias. Para Betelheim a agressividade e o descontamento com irmãos, mães e pais são vivenciados na fantasia dos contos, o medo da rejeição é trabalhado em João e Maria, a rivalidade entre irmãos em Cinderela e a separação entre as crianças e os pais em Rapunzel e o Patinho Feio.
Segundo Rotta (2005), especialistas afirmam que a tendência de retirar o mal dos contos é forte atualmente, o que não deve acontecer, pois são sentimentos que fazem parte da vida.
No decorrer da pesquisa encontram-se relatos de profissionais da educação que já aderiram aos contos para jovens, adolescentes de 5º á 8º série na tentativa de formar leitores críticos.
O conto de fadas também tem a função de resgatar o tempo da alma, pois a vida infantil precisa cumprir cada etapa do seu desenvolvimento para que uma estrutura psíquica possa ser elaborada, o tempo da alma é que regula o passo das frases do amadurecimento humano em oposição a ansiedade e acumulo de demandas, cobranças e pressões de toda sorte que a sociedade moderna exerce sobre os indivíduos...(TANOUYE, 2006)

Fica fácil para as crianças falarem depois de ouvir histórias (na conversa depois da história) quando se faz rodinha, neste momento elas têm mais facilidade de expôr suas angústias, pois depois da história já compreendeu a seu modo a solução para o conflito vivido naquele momento, é importante este momento, pois é nele que se observa e percebe quais são os conflitos vividos pela criança. O educador deve se preocupar em propiciar a conversação, e não julgamentos, pois a história se encarrega disso de uma maneira prestigiada através de todos os recursos de que dispõe.
Betelheim (1992) afirma ainda que na medida em que as histórias se desenrolam, transmite importantes mensagens a mente consciente. A criança que tem contato com os contos de fadas será preparada para lidar com problemas humanos universais que preocupam o seu pensamento. Ela se interioriza e na sua personalidade age e será capaz de julgar e formar sua idéia. A criança se identifica com o personagem que lhe desperta simpatia, é o caso do herói que lhe transmite uma pessoa boa, o que lhe desperta antipatia é o mal da história, ela se interioriza se perguntando: Com quem quero parecer? O herói lhe passa segurança e possibilidade de dominar as dificuldades.
As famílias hoje preferem ter poucos filhos, não é mais como antigamente que se vivia entre muitos irmãos e por esse motivo se faz necessário prover a essa criança as imagens dos heróis que partiram para o mundo sozinho e que apesar das dificuldades encontraram lugares seguros com confiança interior. A criança se sente isolada e insegura, e os heróis estão sempre em contato com coisas primitivas como a árvore, o animal, então estabelece-se uma relação significativa e compensadora com o mundo a seu redor e será capaz de deixar sua dependência infantil e se tornar mais independente.
Betelheim (1992) relata em sua obra que os contos de fadas prometem as crianças que tiverem força de vontade e garra terão uma vida compensadora, conseguirão alcançar seu objetivo, adverte também que aquele que se acomoda, teme e não arrisca terá uma vida medíocre e monótona. Através dos contos, a criança será capaz de saber o que realmente quer buscar, sua auto-estima será aguçada e se tornará independente, capaz de decidir e formar sua própria opinião.

Interesse e prazer, os dois caminham juntos.

É importante lembrar que os contos não se limitam só nas histórias, mas também nas brincadeiras, representando ou brincando, a partir de uma história, desenhar, recontar, dramatizar são algumas formas lúdicas de trabalhar a história.
Tendo em vista que o conto de fadas faz parte e é importante para o desenvolvimento da criança, as escolas buscam atrair mais a atenção das crianças para que este contato com as histórias seja um momento de prazer em um ambiente lúdico, onde ela possa interiorizar e a aprendizagem ser significativa para ela.
Aquele espaço que antes era um amontoado de livros e prateleiras agora é um ambiente confortável onde ela poderá explorar e conhecer vários gêneros literários. É importante que os profissionais estejam atentos e se desempenham em criar ambientes favoráveis para que a criança veja a biblioteca como um espaço confortável e aconchegante e não um lugar frio que ela visite por obrigação.

Para que o aluno possa escolher livremente um livro que possa lhe interessar e para que este possa ser trabalhado em sala, o professor deve conhecê-lo, tê-lo lido. Justifica-se esta importância da leitura porque é através dela que o leitor consegue se visualizar e familiarizar com alguns personagens ou vivenciar uma dada situação. É neste ambiente que se sente a atração da leitura. Portanto, para formar um leitor, é necessário ser leitor”. (BUENO apud STEINDEL 2006)

Nas práticas que vivenciam os educadores é clara essa afirmação, o leitor ativo apreende mais informações e tem maior facilidade de incentivar leitores, hoje é imprescindível ler entre as linhas, é muito difícil fazer o outro gostar de algo que a própria pessoa não goste. O mesmo acontece com a leitura, como ensinar uma criança a ter prazer pela leitura se o próprio não adere a isso, vale lembrar que além dos benefícios já citados, a literatura em qualquer gênero também é um dos mais ricos portadores objetos de alfabetização, se não há incentivo, prazer, não há como transportar esses momentos e provavelmente não haverá um objetivo claro e concreto.
...”Faz-se necessário que o professor demonstre interesse pelo livro e leitura em todos os momentos, para que sirva como exemplo para a criança que é um imitador nato de atos e atitudes...” (FREIRE apud COSTA, 2006)
Para que o professor aguce o interesse da criança pelos contos de fadas é necessário conhecer a história e demonstrar o gosto e prazer ao contá-la. A criança terá como referência aquele primeiro contato com os contos e o que vai favorecer muito é a maneira com que essa história lhe foi contada, e isso vale ao longo de sua vida. O educador preparado será de grande importância para a vida da criança, formando um leitor, e mais ainda, um adulto que terá gosto pela leitura, já que a criança é um imitador nato das atitudes do adulto.
Betelheim (1992) diz que quando se conta uma história de maneira prazerosa e rica de detalhes como o imitar de vozes dos personagens, variações nas entonações da voz, passa-se para a criança neste momento o interesse e estimula seu pensamento onde começa a estruturar racionalmente o seu mundo, se tornando uma criança mais segura.



Significados e resgates nos contos de fadas para alguns pesquisadores.

Segundo Bencini (2007), no artigo “O maravilhoso mundo dos contos de fadas”, diz que é fácil reconhecer um conto de fadas, pois nele sempre há reis e rainhas, animais que falam, objetos animados e o famoso começo “Era uma vez”.
A autora utilizou-se de pesquisas em fontes bibliográficas e esclarece que a oportunidade que se tem para explorar a fantasia das crianças com histórias clássicas do escritor infantil Hans Christian Andersen é uma oportunidade de ouro com muitos recursos a serem explorados.
“Figueredo (2007) apud Schiller diz que há maior significado profundo nos contos de fadas que me contaram na infância, do que na verdade que a vida ensina”.
Ela diz que todos nós em algum momento de nossas infâncias, já vivemos sob os encantos dos contos de fadas, mas pontua que esses mesmos contos vêm sendo deturpados, perdendo sua originalidade fazendo com que as crianças venham a perder o interesse pela leitura. Através de observações, ela tenta ressuscitar o interesse por estes clássicos proporcionando o contato com esta literatura rica, estimulando a imaginação e mostrando o que o conto de fadas desperta no imaginário das crianças que tanto as fascina e porque eles são importantes para elas.
O enfoque dado por Coelho (2006) em seu artigo “O imaginário infantil e a educação”, é que o conto de fadas é cheios de mistérios e encantamento a ser desvendado. A autora fundamentou-se em estudos baseados em pesquisas feitas pelos psicólogos Jung e Freud onde se resulta em descobrir que este é um excelente meio de educação a ser explorado, pois sua matéria-prima é extraída de verdades humanas.
Para Costa (2006), nenhum tipo de leitura é tão enriquecedor e satisfatório mais que os contos de fadas. O autor tem como objetivo principal em seu artigo estimular o professor pondo-o como mediador, fazê-lo contador de histórias infantis. Ela utilizou-se de pesquisas bibliográficas no intuito de descobrir pontos significativos dentro dos contos de fadas propiciando uma ação significativa, envolvendo o aluno e aumentando o seu poder de imaginação.
Enquanto que Bencini (2005), afirma em seu artigo, “A fantasia ajuda a formar a personalidade, que algumas histórias tratam de temas que fazem parte da tradição de muitos povos e que apresentam soluções para situações de conflito”. Tem como objetivo mostrar que a fantasia ajuda na formação da personalidade de crianças e por isso não pode faltar na educação. Baseado em pesquisas bibliográficas, o autor conclui que os contos de fadas não devem ser restritos a um ou outro, já que é uma leitura que contribui para a formação de leitores críticos.
Todos esses autores deixaram de enfocar os benefícios e as interferências que os contos de fadas fazem ao longo do processo do desenvolvimento infantil e posteriormente na vida adulta. Visto assim objetivamos pesquisar sob o olhar de pesquisadores da área sobre o tema onde buscaremos resultados que auxiliarão na prática docente, uma vez que lidamos diariamente com situações de conflitos universais gerados no processo de desenvolvimento infantil por cada criança.

O conto de fadas sob olhares diversificados

Hoje as crianças não crescem dentro da segurança de uma família numerosa, ou de uma comunidade bem integrada. Por conseguinte, mais do que na época em que os contos de fadas foram inventados, é importante prover a criança moderna uma literatura que dá subsídios para formá-los para uma sociedade futura e seletista.
Para Betelheim (1992), os contos de fadas aliviam as pressões exercidas pelos problemas, favorecem a recuperação incutindo a coragem na criança mostrando-lhe que é sempre possível encontrar saídas, fornece grandes contribuições, encorajando-a á luta por valores amadurecidos e a uma crença positiva na vida que formarão a sua personalidade ao longo da vida adulta.

Nada é tão enriquecedor e satisfatório para a criança, como para o adulto do que o conto de fadas. A criança deve receber ajuda para que possa dar algum sentido coerente ao seu turbilhão de sentimentos, é no conto de fadas que ela encontra esse tipo de significado, pois estes transmitem importantes mensagens à mente humana. (BETELHEIM, p.

De acordo com Abramovich (1995), ao ler um conto a criança suscita o imaginário, tem a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, encontra outras idéias para solucionar questões (como as personagens fazem). É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos através dos problemas que vão sendo defrontados, enfrentados, resolvidos ou não pelas personagens de cada história, cada uma a seu modo. É a cada vez ir se identificando com outro personagem, cada qual no momento que corresponde àquele que está sendo vivido pela criança e, assim, esclarecer melhor as próprias dificuldades ou encontrar um caminho para a resolução delas.
Por quê? Porque os contos de fadas estão envolvidos no maravilhoso, um universo que denota fantasia, partindo sempre duma situação real, concreta, lidando com emoções que qualquer criança já viveu... Porque se passam num lugar que é apenas esboçado, fora dos limites do tempo e do espaço, mas onde qualquer um pode caminhar... (...) Porque todo esse processo é vivido através da fantasia, do imaginário, com intervenção de entidades fantásticas (bruxas, fadas, duendes, animais falantes, plantas sábias...). (ABRAMOVICH, 1995, p.120).

Wallon (1934) afirma que a criança ao se desenvolver passa por estágios onde necessitam de intervenções que as direcione para uma maturidade onde a criança seja conduzida a dominá-la. Ao longo dos anos pesquisando ele conclui que a criança para se desenvolver começa esses estágios na vida intra-uterina e se estendendo até os cinco anos. Cada fase que a criança passa é um passo a mais que a prepara para a interação com o mundo onde cada uma tem sua devida importância sendo necessária para a construção de sua personalidade.

O desenvolvimento do pensamento na criança é descontínuo, assinalado por “crises”, “conflitos”, comparados com mutações biológicas, saltos numa palavra, e que provocam reestruturações (não evoluções) do comportamento.
(WALLON apud MRECH).


O primeiro pensamento na criança é autístico (individualista), é a forma original, mais primitiva, e seus objetivos estão no subconsciente. O pensamento egocêntrico é o intermediário entre o autista e o pensamento. Para evoluir ao pensamento socializado, a criança deverá sofrer contínua pressão social. O pensamento dirigido, intencional, é a fala socializada, a criança tenta comunicar-se com os outros. (PIAGET apud DOBBIN, 2000).
Dobbin pesquisando as obras de Piaget (1923) sobre o desenvolvimento do pensamento infantil diz que uma delas é a chamada lei da consciência, segundo a qual um obstáculo ou uma perturbação em uma atividade automática despertam naquele que a pratica, a consciência dessa atividade. A outra premissa é de que a fala é uma expressão desse processo de conscientização.
Vigotsky considerou a fala primitiva como essencialmente social também global e multifuncional: “Numa certa idade, a fala social divide-se em fala egocêntrica e fala comunicativa”... A fala egocêntrica emerge quando a criança transfere formas sociais e cooperativas de comportamento para a esfera das funções psíquicas interiores e funcionais. (VIGOTSKY, 1993, p.13).

Após a aquisição da fala, pensamento e linguagem se articulam, formando o pensamento verbal, sendo o biológico reelaborado a partir do sócio-histórico. Isto é, a linguagem se modifica a partir dos estímulos, das interações sociais. Um aspecto muito importante a ser considerado é o papel da atividade da criança na evolução de seus processos mentais. A partir de ações intencionais é que a criança desenvolve sua inteligência e vai planejando a solução de problemas cada vez mais complexos. (DOBBIN, 2000).
O raciocínio infantil não é nem dedutivo nem indutivo, mas transdutivo, indo do particular ao particular; o juízo não é lógico por ser centrado no sujeito, em suas experiências passadas e nas relações subjetivas que ele estabelece em função das mesmas. Os desejos, as motivações e todas as características conscientes, morais e afetivas são atribuídas às coisas (animismo). A criança pensa, por exemplo, que o cão late porque está com saudades da mãe. Por outro lado, para as crianças até os sete ou cinco anos de idade, os processos psicológicos internos têm realidade física: ela acha que os pensamentos estão na boca ou os sonhos estão no quarto. Dessa confusão entre o real e o irreal surge a explicação artificialista, segundo a qual, se as coisas existem é porque alguém as fez. (PIAGET apud DOBBIN, 2000).

Muitos estudiosos da área, como a Coelho, Abramovich e Betelheim emergiram nos contos de fadas a fim de desvendar o mistério existente nesta literatura que ao mesmo tempo em que proporciona prazer, transmitem mensagens animistas na luta pela vida. A criança inicia a vida cheia de medos, inseguranças e frustrações passam por processos natos da vida humana que são necessários para a formação de uma base construtora e sólida para uma vida posterior (adulta). Dentro dessas integrações a criança emerge-se em conflitos, pensamentos ambivalentes e se perde, às vezes entrando em desespero e demonstrando reações que muitas vezes nem ela entende. Nesta transposição é importante que o seu nível de maturação esteja se desenvolvendo de forma correta, em idade certa para poder assim desvendar esses mistérios e criar subsídios que a darão suporte para as fases do desenvolvimento infantil, principalmente no cognitivo.

A criança é capaz de imaginar, isto é de fantasiar uma solução favorável para seu período presente, as explosões temperamentais desaparecem. Se uma criança é incapaz de imaginar seu futuro de modo otimista, estabelece-se uma parada no seu desenvolvimento. ( BETELHEIM, p. 156)

Os autores examinados e aqui citados mantêm pensamento numa mesma linha defendendo os mesmos interesses embasando-se um nas pesquisas do outro, mais propriamente do austríaco Bruno Betelheim que foi o papa de todo este assunto que envolve a construção da personalidade. Apresentaram divergências entre o pensamento de Piaget e Vigotsky quando falam do desenvolvimento do pensamento infantil onde Piaget defende por uma linha mais autista, primeiro de forma egocêntrica e depois de forma socializadora. Vigotsky por uma linha mais socializadora, onde para ele é uma prática social. Para nós autoras deste trabalho entendemos que a criança quando está neste processo, através de nossas experiência como educadoras percebemos que elas acabam por passar pelas duas fases, já que cada uma depende do momento em que vive.








Considerações finais

Nos tempos atuais a criança vive em um mundo onde seus pais trabalham, o número de irmãos é menor, às vezes vive somente com a mãe que também trabalha fora. São crianças mais expostas aos problemas da vida, inseguras e frágeis aos conflitos e através dos contos de fadas, a criança é capaz de vencer obstáculos em sua vida, com mais segurança e auto-estima. Ouvir os contos de fadas é fundamental para o seu desenvolvimento e formação de sua personalidade.
A criança vivencia através da história conflitos que muitas vezes enfrenta, seja em casa, na escola, nesse sentido a fantasia estimula a auto-estima da criança, levando-a a encarar seus problemas com mais esperança de um final feliz. Sabemos que as histórias retratam conflitos, humilhações, vividos pelos personagens, que são os heróis das crianças, como Branca de Neve, Cinderela, Patinho feio, são personagens que se sobressaem apesar dos obstáculos enfrentados, identificam-se e levam consigo a esperança de que tudo acabará bem.
Diante disso percebemos que toda criança necessita de histórias para cumprir as etapas do seu desenvolvimento, criando suas próprias opiniões e formulando hipóteses onde é capaz de tomar decisões e ter uma vida posterior mais tranqüila indo ao encontro de soluções que ela própria irá desvendar.

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ROTTA, Lilian Mangerona Corneta. O maravilhoso mundo dos contos de fadas e o seu poder de formar leitores. Disponível em:
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SIGNORETTI, Adriana Elizabeth Risi Simões. Interação e aprendizagem - Idéias chave de Piaget orientam o desenvolvimento infantil. Revista do professor, Porto Alegre, vol. 14, p. 5-8, out./dez. 1998

TANOUYE, Mariuza Pregnolato. A importância dos contos de fadas na
formação da personalidade. Disponível em:
Acesso em: 06 mar. 2007.

VIEIRA, Izabel Maria de Carvalho. Criança: Revista do Professor de Educação
infantil. Brasília: MEC, n. 38, p. 8-12, jan; 2005.




Trabalho monográfico de conclusão do curso de Normal Superior (2007) do Centro Universitário de Caratinga – Minas Gerais.

A música vem daqui...

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